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Combate aos efeitos negativos das mudanças climáticas exige esforço global

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Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho, avalia que Minas está fazendo sua parte e que os países devem se unir em um objetivo comum para mitigação do aquecimento global.

A população planetária é seis vezes maior, sete vezes mais rica e usa quatro vezes mais energia do que no começo do século XX, e as emissões de gases causadores do efeito estufa aumentaram na mesma proporção. Os dados foram divulgados pela Climatologista do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, Lucka Kajfez Bogataj, em sua palestra no painel "Água e Mudanças Climáticas", realizado nesta quinta-feira (27) no evento Diálogos da Terra.

No Painel presidido por José Carlos Carvalho, Lucka Bogatai expôs possíveis cenários para os próximos 100 anos caso a taxa de crescimento e consumo do planeta continue no ritmo atual. Ela informou que a população mundial prevista para 2050 é de cerca de 10 bilhões, o que significaria alta probabilidade de um aumento de 2ºC na temperatura. Isso acarretaria alterações no nível dos mares, rios e nas precipitações pluviométricas, produzindo um efeito cascata em toda a cadeia de produção mundial de alimentos. "A cada oito segundos morre uma criança em decorrência da falta de água. As mudanças do clima irão agravar essa situação", disse.

Além disso, a climatologista destacou que a alteração do regime dos recursos hídricos também afetaria a produção das hidrelétricas, umas das principais fontes energéticas do Brasil. "Uma diminuição da vazão da ordem de 10% em um rio provocaria uma redução de 30% na produção de energia", informou. Lucka avaliou também que a falta de água poderia provocar até conflitos armados, como já acontece em regiões da África e Ásia.

Lucka explicou que atualmente existem três opções para a população mundial: mitigação, adaptação ou sofrimento, sendo que no estágio atual, a mitigação e a adaptação devem ser realizadas simultaneamente, pois praticamente na há como interromper o processo de aquecimento. "Teríamos que diminuir em 60% as emissões relativas ao ano de 1990, o que é praticamente impossível, considerando-se o crescimento dos países emergentes", constatou o pesquisador da USP, Luiz Gylvan Meira Filho, outro palestrante do painel. Gylvan informou que o Brasil é responsável por 3,5% das emissões mundiais de gases do efeito estufa.

Minas na vanguarda    

A preservação das florestas é uma grande contribuição do Estado para o combate aos efeitos do aquecimento global no planeta. Somente as matas nativas de Minas Gerais garantem o seqüestro de 1,5 bilhão de toneladas de gás carbônico (CO2) da atmosfera por ano. Um volume significativo diante das emissões de CO2 do Estado, de 122 milhões de toneladas no ano de 2005.

A redução do consumo de matéria-prima proveniente das matas nativas é uma das metas estabelecidas no Projeto Estruturador Conservação do Cerrado e Recuperação da Mata Atlântica. Em 2008, cerca de R$ 10 milhões foram investidos pelo Governo do Estado em programas de recuperação de áreas degradadas, projetos socioambientais e de pesquisas florestais e energéticas. Com os esforços que resultaram na redução da taxa de desmatamento do Estado em cerca de 30% nos últimos dois anos e a execução dos projetos de reflorestamento, pretende-se ampliar em 120 mil hectares a área do Estado com cobertura de vegetação nativa até 2011.

Outro destaque é que o setor energético mineiro adquiriu vantagem ao adotar fontes renováveis, como o etanol, bagaço e lenha de reflorestamento. Dos combustíveis utilizados em Minas, 51% são baseados em fontes renováveis. Isso evitou a emissão de cerca de 50 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera em 2005, que seriam produzidos pelo uso de combustíveis fósseis, aponta o 1º Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa de Minas Gerais.

"É evidente a necessidade das economias aumentarem a participação de energias renováveis na sua matriz energética. Minas tem como prioridade estabelecer medidas nesse sentido e já estamos em uma posição favorável, pois aqui a matriz energética tem maior porcentagem de combustíveis renováveis do que fósseis, como o diesel, o gás e a gasolina", destacou o secretário José Carlos Carvalho.

"A realização do Diálogos da Terra, uma parceria do Governo de Minas com a Green Cross International é uma extraordinária oportunidade de intercâmbio de experiências e informações para se construir uma massa crítica para enfrentar os problemas atuais que afligem a humanidade" conclui Carvalho. 

Ascom/Sisema

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