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Governo de Minas estimula reaproveitamento de rejeitos da mineração

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Fotos: Janice Drumond

Seminário 

Evento no auditório do BDMG contou com representantes do poder público, setor produtivo, academia e da indústria

 

Mudar o conceito atual que trata o rejeito da mineração como algo sem valor e tratá-lo como um produto com status econômico, cobiçado por outros setores da economia, a exemplo da engenharia, arquitetura e construção civil. Essa é a proposta do seminário promovido pelo Governo de Minas Gerais que teve início nesta segunda, 3, em Belo Horizonte, com profissionais do setor mineral, da indústria e do meio ambiente.

 

O seminário Reaproveitamento de Rejeitos de Mineração e Economia Circular é uma realização da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) e da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam). Até o dia 4, a capital mineira será o palco das discussões sobre como se dará, no futuro, o diálogo entre a produção mineral e os outros setores produtivos. A proposta de compartilhar experiências relacionadas ao tema surgiu após visita de comitiva da Semad e da Feam à China, país asiático com práticas exitosas de reaproveitamento de rejeitos de mineração.

 

Seminário barragens 2

Secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira (centro), chama atenção para a necessidade de reduzir a construção de barragens e criar novas alternativas para disposição de rejeitos de mineração

 

Na abertura do evento, o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Germano Vieira, afirmou que a idéia é cada vez mais fomentar o conceito de mineração sustentável, inovando para que o setor possa ter alternativas e estreitando as relações com o setor da construção civil, por exemplo, para que eles possam aproveitar o rejeito em produtos e subprodutos na fabricação de imóveis, pisos e asfaltamento de estradas.

 

Vieira explica que o empreendedor é o primeiro responsável pela segurança das estruturas de barragens e que o poder público atua na fiscalização e na elaboração de políticas públicas. “As cadeias produtivas devem se juntar num conceito de economia circular, dando condições que o rejeito produzido pelas empresas de mineração possa ser reaproveitado de outras formas”, afirma.

 

Em maio de 2018, a Semad e a Feam proveram o 1º Seminário Internacional de Tecnologia de Gestão de Barragens. O seminário foi fruto de uma missão da Semad e da Feam à Holanda, país famoso pela experiência com a construção de diques para a contenção das águas do oceano. Na ocasião, poder público, setor produtivo, e especialistas nacionais e internacionais puderam compartilhar técnicas e tecnologias para segurança e gestão de risco de barragens. “Neste segundo seminário estamos focando no reaproveitamento do rejeito de mineração, ou seja, em estratégias para minimizar a construção de barragens”, afirma o secretário Germano Vieira.

 

Ainda na solenidade de abertura, o presidente do Sindicato da Indústria Mineral do Estado de Minas Gerais (Sindiextra), José Fernando Coura, lembrou que hoje já são aproveitados 85% do rejeito do minério de ferro. “É uma oportunidade de envolver sindicatos da construção civil e aproveitar escória, pó de balão, finos de carvão e do minério de ferro e aproveitar 100% dos rejeitos da indústria siderúrgica”, afirma.

 

Já o presidente da Feam, Eduardo Pedercini Reis, destacou que o Seminário coloca em pauta o tema do compartilhamento da mineração e da economia circular. “Como órgão governamental responsável pela gestão dos rejeitos, a Feam compartilha experiências que foram e serão importantes para a sustentabilidade”, observa.

 

GESTÃO

 

Seminário barragens 1

Diretor de Resíduos da Feam, Renato Brandão, fala sobre iniciativas da Fundação para estimular uso de rejeitos da mineração em outros setores da economia
 

Diretor de Resíduos da Feam, Renato Brandão destacou o trabalho que a Fundação realiza, desde 2002, na gestão das barragens localizadas no Estado. A Fundação recebe as informações dos empreendedores, com dados sobre altura das barragens, volume e ocupação humana à jusante, por exemplo.“As barragens são classificadas como de alto, médio ou baixo potencial de dano ambiental e os empreendimentos têm de realizar auditorias periódicas em seus reservatórios”, explica. Brandão observa que em 2017, os técnicos da Feam realizaram fiscalizações em 275 barragens e, em 2018, em 311.

 

Os dados do Inventário de Resíduos da Mineração apontam cerca de 289 milhões de toneladas de resíduos gerados, dos quais 94,58% são destinados para as barragens e 2,87% para as pilhas de rejeitos e somente 0,003% ou cerca de 9,9 mil toneladas são reutilizadas. “O desafio é criar políticas que incentivem a reutilização desse universo”, afirma.

 

Renato Brandão lembra que entre as ações que o Governo de Minas Gerais já propôs está a definição de critérios para o aproveitamento de cavas de minas não utilizadas para a disposição de rejeitos. Outra iniciativa é o estímulo econômico para empresas que realizassem o reaproveitamento dos materiais existentes em barragens e pilhas, já previsto em lei e com implementação prática para o início do ano que vem. “Em 2017, uma delegação mineira visitou o Estado chinês de Beijing e conheceu o trabalho de utilização de rejeitos na construção civil e arquitetura”, afirmou.

 

DESAFIOS

 

O geólogo e analista de infraestrutura do Ministério de Minas e Energia, Erin Sebastião Mendes, explica que o Governo Federal atualmente encara o desafio de transformar os resíduos sólidos em ativos minerais. Entre as várias frentes de trabalho está a elaboração do diagnóstico e caracterização de resíduos do processo de lavra e rejeitos na região Centro-Oeste. “Também está em andamento o reaproveitamento dos resíduos de uma série de minerais, entre eles o lithium”, explica. Esse último é feito em conjunto com a União Europeia.

 

O diretor de Fiscalização da Agência Nacional de Mineração (ANM), antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Walter Lins Arcoverde, afirmou que o Brasil, atualmente, possui 10.640 concessões para produção mineral e 5.040 títulos de lavra. “Somos o 3º país com maior produção, mas temos uma pequena pesquisa na área e temos um grande desafio que é o transformar os resíduos em ativo”, destacou.

 

Para Arcoverde, é importante identificar e envolver todos os atores nessa mudança de paradigma que é forma como se vê o rejeito. “É necessário eliminar os problemas de segurança nessa transição”, afirmou. Ele lembrou ainda que na próxima quarta-feira, 5 de dezembro, a ANM passa a funcionar com sua nova estrutura que inclui todo um setor voltado para a gestão de barragens.

 

Fazendo dupla com o especialista da ANM, o professor do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Evandro Moraes Gama, apresentou alguns dos resultados do estudo desenvolvido pela instituição para destinação de materiais para o setor da construção civil. Ele destaca os aproveitamentos imediatos com argila e areia na produção de cerâmicas, telhas e na base e para pavimentação de estradas. “O setor da pavimentação é o que possui maior potencial de aproveitamento, seguido da produção de cimento”, afirma. “É inevitável já considerar as barragens como depósito temporário de produtos”, completa.

 

O seminário Reaproveitamento de Rejeitos de Mineração e Economia Circular continua nesta terça (04/12). A programação pode ser acessada no site da Feam, na internet, no endereço www.feam.br.

Seminário Reaproveitamento de Rejeitos de Mineração e Economia Circular

Data: 03 e 04 de dezembro de 2018

Local: Auditório do BDMG (Rua da Bahia, 1600)

 

Emerson Gomes/Ascom

 

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