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Desafios hídricos em Minas são tema da 2ª edição do Diálogos com o Sisema

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As formas como Minas Gerais tem buscado enfrentar a crise hídrica em seu território nortearam as discussões da 2ª edição do “Diálogos com o Sisema”, espaço de debates criado pela pasta ambiental do Governo de Minas para abordar os temas mais atuais e impactantes para a sociedade. O encontro ocorreu na primeira semana de março, no Plenário do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), em Belo Horizonte. 

Uma das palestrantes do encontro, a diretora-geral do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), Marília Carvalho de Melo, apresentou os fatores que compõem o cenário de escassez hídrica. Entre eles estão os diagnósticos das condições meteorológicas do Estado nos últimos anos, trabalho realizado pelo Sistema de Meteorologia e Recursos Hídricos de Minas (Simge). “Houve uma mudança de comportamento no regime de chuvas nos últimos anos, com longos períodos de estiagem, o que fez com que o Governo adotasse instrumentos de gestão e ações para o enfrentamento da escassez”, afirmou.

Foto: Emerson Gomes

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A diretora-geral do Igam, Marília Carvalho de Melo, apresentou os fatores que compõem o cenário de escassez hídrica em Minas

Marília Melo ressaltou que, em 2015, foi publicada a Deliberação Normativa 49 do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH) que define os estados de restrição nas bacias consideradas em dificuldades. “A ação naquele momento foi reativa e necessária”, afirmou. “Todos têm que restringir para que o uso da água seja garantido”, completou.

Doutora em recursos hídricos, Marília Melo afirmou que são necessários investimentos na eficiência do uso, capazes de evitar perdas e também de reduzir desperdícios nas bacias e no consumo urbano doméstico. Segundo ela, também devem ser priorizados os programas de reabilitação de áreas degradadas. “O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento e Sustentável, Germano Vieira, tem destacado a necessidade agregar os esforços de diferentes instituições que já possuem ações neste sentido como: Copasa, Codemig, Projeto Água Boa coordenado pelo Igam e a The Nature Conservancy (TNC), que trabalha na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e na Serra da Mantiqueira”, destacou.

Academia

Trazendo o olhar da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) sobre o tema, a professora do Departamento de Recursos Hídricos da Universidade, Talita Silva, destacou projetos que envolvem todos os municípios da RMBH. “Os projetos propõem corredores verdes (vegetação) e azuis (água) observando a paisagem urbana com suas características”, afirma.

O trabalho, segundo Talita Silva, se apoia em sistemas de informações geográficas e leva em conta as bacias hidrográficas. Ela observa que a Lagoa da Pampulha, até 1980, era um dos mananciais da capital, não podendo mais ser utilizada pelas condições da água. 

Foto: Emerson Gomes

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Projetos desenvolvidos pela UFMG e que envolvem todos os municípios da RMBH, foram apresentados pela professora Talita Silva


Talita Silva explica que a UFMG se prepara para inserir o cenário de mudanças climáticas no banco de informações já existentes. “Um dos próximos passos é a recuperação das Áreas de Preservação Permanente, já com base nos dados levantados até agora”, afirma.

Já o gerente de Meio Ambiente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Wagner Soares Costa, disse que o setor produtivo está preocupado com a questão da água. “O tema entrou no planejamento estratégico das empresas”, afirmou.

Wagner Costa observou que a regulação online dos usos insignificantes (trabalho desenvolvido pelo Governo de Minas, por meio do Igam), permitirá um diagnóstico da disponibilidade dos recursos hídricos. “Na tomada de atitude, após o primeiro passo, é importante a manutenção do esforço”, disse.

Foto: Emerson Gomes

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Wagner Soares Costa, gerente de Meio Ambiente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), falou das preocupações do setor produtivo com a questão da água


Na esfera do setor produtivo, Costa citou uma ação do setor da agricultura que, segundo ele, está construindo trens para o transporte de água captada em rios com excedentes, em época de chuva, para as regiões de plantio.


Agricultura

 

A coordenadora da Assessoria de Meio Ambiente da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), Ana Paula Mello, destacou as ações que o setor tem em curso no Estado, como as de recuperação do solo em áreas de pastagem e plantios. “O solo sadio garante a infiltração da água e o abastecimento dos mananciais”, afirmou.

Ana Paula Mello observou que a Faemg vem incentivando a adoção de infraestrutura verde com integração de florestas, pastagens e plantios. “Realizamos dias de campo, levando conhecimento aos produtores rurais, inclusive sobre os sistemas mais adequados de irrigação”, explicou.

Para a coordenadora da Faemg, as medidas de enfrentamento da escassez hídrica são um desafio gigantesco. “As projeções indicam que a população do Estado chegará a 9 milhões de pessoas em 2050, demandando um aumento na produção de alimentos na ordem de 40%”, afirma. 

O “Diálogos com o Sisema” é um espaço mensal de discussão com a sociedade sobre os principais assuntos ligados à pasta ambiental do Governo de Minas. O calendário dos encontros, bem como as apresentações já realizadas estão disponíveis aqui.

Emerson Gomes
Ascom/Sisema

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